domingo, 13 de setembro de 2015

Auto Viação Nacional S.A.

Nota do Editor: No início do mês de junho de 2016, recebi dois contatos que nos ajudaram a conseguir novas informações sobre a família Bianchi, desde Mário, fundador da dinastia, até sua esposa Da. Prazeres, seu filho Trieste e demais pessoas, que se envolveram nos negócios da família, principalmente em suas empresas de ônibus, que terminou nesta – a Nacional –, e que a partir de agora após revisarmos, refazermos, retirarmos e colocarmos informações novas nos textos das matérias antes existentes, além de fotos e documentos variados, baseados nos dados fornecidos por Trieste, Erik e Bernardo Bianchi, estes dois últimos bisnetos de Mário e netos de Trieste, aos quais agradecemos a confiança e colaboração do que nos foi mostrado e cedido. Desde já o nosso obrigado sincero, pois tratam-se de informações que vieram engrandecer nossas pesquisas, além de algumas pessoais, que não serão divulgadas. Esse conjunto de alterações envolvem as Viações Nacional, Suburbana, Carioca, Cruzeiro do Sul e Central, esta não pertencente ao grupo Bianchi”.

Nossa matéria começa com algumas páginas da escritura de constituição da empresa, contendo a relação de seus sócios e demais informações pertinentes. Leiam os textos.

Escritura (30/01/1948)

ÔNIBUS COMO A CIDADE NUNCA TEVE!

“Entra em tráfego, amanhã, a mais moderna frota de ônibus [os “gostosões”] do Rio – Viação Nacional S/A, empresa que surgiu da tradição do nome de Mário Bianchi, grande animador do progresso carioca – Ligando as praças Malvino Reis e General Osório – Preço menor para mais conforto”. Com a chancela do filho de Bianchi – Trieste Bianchi, como Superintendente da empresa – e da sua viúva, Da. Prazeres Bianchi.

Seu itinerário era: Praça Malvino Reis, Rua Barão de Mesquita, Rua Uruguai, Rua Conde de Bonfim, Rua Haddock Lobo, Avenidas Paulo de Frontin, Presidente Vargas, Rio Branco e Beira Mar, Praia do Flamengo, Avenida Oswaldo Cruz, Praia de Botafogo, Rua da Passagem, Avenida Princesa Isabel, Avenida N. S. de Copacabana, Rua Francisco Sá e Praça General Osório.

Suas tarifas (com o slogan da empresa “o preço é mais barato do que está em vigor em outras linhas”): Praça Malvino Reis à Cidade Cr$ 1,50, Cidade à Praça General Osório, Cr$ 2,00 e Direta, Cr$ 3,00.   

Devemos ressaltar que a empresa comprou inicialmente 15 veículos GMs importados, encarroçou mais outros 5 aqui e encomendou outros 15 da GM internacional, ou seja, começou provocante, bem ao estilo da família Bianchi.

(A Noite, 16/07/1948)

Seguem algumas imagens de “gostosões” da Nacional, nos anos 40/50, sendo que um deles, já com a pintura original e o disco, porém ainda sem o número de ordem.







(A Noite, 16/07/1948)

Conforme informação anunciada, a nova linha era a 109.

(Diário da Noite, 19/07/1948)

Fichas utilizadas pelos GMC, nas décadas de 40 e 50.



Com a nomenclatura oficial da empresa, Auto Viação Nacional S/A, é anunciada uma troca de itinerário na linha 109. Veja a seguir.

(A Noite, 31/07/1948)

E posteriormente a empresa impetra um mandado de segurança, contra o Diretor de Tráfego Sr. Edgard Estrela, em função da mudança do itinerário aprovado pela Prefeitura do Distrito Federal.

(A Manhã, 08/12/1948)

Conforme certidões anexas, a Viação Nacional adquire a concessão das linhas 72 e 105, bem como um terreno, para futura garagem, à Rua São Miguel, nº 179, da Ônibus Central Ltda., respectivamente em 1950 e 1955, mantendo a exploração das linhas do Grajaú.

Dessa forma a garagem da Nacional compreende terrenos da Rua Conde de Bonfim, nº 916, com fundos para a Rua São Miguel, 177 e 179.

Certidão de Cartório (1950)

Agora temos informações sobre alterações nos itinerários das linhas 105 e 110.

A 105, é uma linha dividida com a Relâmpago, Grajaú x Copacabana, desde 1948 até 1952 e a 110, Grajaú x Laranjeiras – Cosme Velho, desde 1951.

(A Noite, 28/07/1951)

Como em toda empresa, há confusões e principalmente naquelas épocas – difíceis de serem resolvidos – temos aqui um exemplo.

(Diário da Noite, 10/08/1951)

A seguir, uma imagem de outro gostosão da Nacional em 1953, da linha 109, desta vez batido em um bonde.


Nessa década, aparece o primeiro incidente com um veículo da empresa, tratando-se de um incêndio.

Dito na notícia, o motorista ao ver a enorme quantidade de fumaça sair do motor, avisou aos passageiros para que deixassem o carro rapidamente para evitar um acidente de grandes proporções, visto já estar em brasas. Com todo o respeito ao caso, vale um trocadilho, porque o motorista pediu para que os passageiros deixassem rapidamente o ônibus? Por que era um “Carbrasas”.

(A Noite, 09/01/1953)

Conforme matéria, a Nacional conseguiu suspender um mandado de segurança impetrado contra ela, devido à apreensão de alguns dos seus veículos.

(A Noite, 19/08/1953)

Devido a um novo plano de transportes – óbvio de interesses outros –, o Departamento de Concessões propôs mudanças em itinerários, o que não agradou especificamente à Nacional, que diz que perderia muitos passageiros com essa mudança, que afetaria a linha 109.

Em depoimento ao jornal, ele cita o que aconteceria, inclusive o que já vinha ocorrendo, envolvendo o excesso de concessões dadas aos lotações individuais. Leiam a matéria completa.

Como essa matéria é de 1954, estamos falando realmente de uma época na qual proliferaram os lotações no Distrito Federal e cidades da Baixada Fluminense.

(A Noite, 08/11/1954)

O aviso a seguir informa a mudança de um ponto final no Centro, da linha 72, provavelmente decorrente do plano citado nos parágrafos anteriores.

(Correio da Manhã, 06/09/1955)

Consequência de vários fatores, entre eles o custo das peças importadas, a canibalização e falta de reposição, do mau uso e manuseio pelos próprios mecânicos e motoristas, as empresas cariocas que trabalhavam com veículos importados estavam sentindo a dificuldade em continuar a operar suas linhas e reduzindo constantemente suas frotas, que eram vendidas a preço de ferro-velho. E pior, arriscadas a fechar suas portas.

(A Noite, 01/03/1956)

Desta vez tomamos conhecimento de um acidente, para nós o primeiro da empresa no Grajaú, que culminou com o falecimento de uma senhora. Soubemos, através do proprietário do imóvel, já ser a segunda vez que um carro da Nacional bate naquele imóvel.

(A Noite, 20/09/1956)

Pelo que podemos observar, a Nacional está começando a escorregar na preferência dos seus passageiros, desta vez com a criação de um passe-troco de Cr$ 0,50, conforme mostra a matéria, para forjar não ter troco e prejudicar seus usuários. Nesse caso, o ônibus era da 110.

(Diário de Notícias, 17/11/1956)

Já avançamos dois anos, mas conforme citado na matéria abaixo, a Nacional continua derramando sua invenção no público – agora, no caso, duas linhas com o número 110 –, sem que o Departamento de Concessões tome providências. E notem que tem algo de errado, citado na matéria, informando o número de ordem do carro como sendo 10.201 – quando seu primeiro prefixo atribuído foi 10.25X e definitivamente 10.5XX.

(Diário de Notícias, 10/11/1958)

Pelos dois recortes a seguir, vemos que o espólio de Mário Bianchi ficou longos anos sem ser realizado, o que levou a justiça a exigir apresentação de comprovação de prestação de contas para legalização do processo, sob pena de responderem por penas e danos, judicialmente, seus representantes.

(Correio da Manhã, 26/11/1960)

(Última Hora, 26/11/1960)

Conforme informações recentes, recebidas do contato com seu bisneto, toda comprovação foi efetuada, tendo as dívidas sido quitadas, tanto que o terreno da Rua São Miguel hoje é explorado comercialmente pela família. A residência de Mário Bianchi foi desapropriada, tendo os herdeiros Trieste, Vera (irmã) e Roberto (sobrinho dos dois) recebendo da Prefeitura o valor da desapropriação. Posteriormente transformada pela Prefeitura em um local que é conhecido como Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola.

Seguindo a matéria, vejam diferentes tipos de fichas da empresa, utilizadas nas décadas de 50 e 60.


Uma matéria compara as empresas legalizadas com as bagunças feitas pelos lotações, e comenta a ausência de fiscais suficientes para fazer a devida verificação para melhorar os serviços de transporte, no Estado.

(Diário da Noite, 16/03/1961)

E como já vinha sendo notado, o fim vai surgindo. Vejam o caso descrito nesta matéria sobre a linha 109 da Nacional, bem como citada a São Sebastião Ônibus Ltda. Mas a mesma não acabou e entrou no processo de troca de números de linhas para 428.

(Correio da Manhã, 04/03/1964)

Um modelo de ônibus Volvo, utilizado pela empresa, ainda circulando na década de 60.


Os dois próximos, texto e imagem, comprovam o estado em que se encontrava a empresa, a qual foi requerida a decretação da sua falência, por uma sua credora, na 1ª. Vara Cível, confirmando sua garagem no mesmo endereço inicial da Rua Conde de Bonfim, nº 916, na Tijuca.

Vejam o estado físico de um ônibus Volvo/Carbrasa, totalmente mal tratado, já inclusive sem disco nem número de ordem.

(Correio da Manhã, 28/08/1964)


Em 1965, três sócios se interessaram em entrar para o ramo de transportes e compraram a Nacional, como os DO’s a seguir relatam. Podemos aqui constatar que não houve falência da Nacional e sim uma venda, que para efeitos da nova empresa Transportes Niterói Ltda., não veio a dar certo, não conseguindo concretizar o compromisso feito com a Prefeitura no prazo definido, fazendo assim que no mesmo ano de 1965, a Niterói cessasse sua operação.

Sua linha restante, a 422, passou a ser operada pela Viação Verdun S/A.

(D.O. - GB, 1965)

Linhas operadas pela empresa:

53 è Lapa x R. Maxwell (Relâmpago e Nacional), de 1957 a 1958
72 è Lgo. Candelária x Grajaú (Nacional), de 1955 a 1957
105 è Grajaú x Copacabana e Gal. Osório (Relâmpago e Nacional), de 1947 a 1953
109 è Pça. M. Reis x Ipanema (Nacional), de 1951 a 1963, substituída pela 428
110 è Grajaú x Laranjeiras - Cosme Velho (Nacional), de 1952 a 1963. substituída pela 422
422 è Grajaú x C. Velho (Nacional-Niterói), de 1964 a 1965, depois Verdun
428 è Pça. M. Reis x Ipanema (Nacional), 1964

Em 1991, a SETRANSPARJ, no ano do seu cinquentenário, e a  RIO ÔNIBUS (Empresas de Ônibus da Cidade de Rio de Janeiro), em 2011, quando comemorou 70 anos, ofereceram placas homenageando e reconhecendo a Trieste Bianchi e Mário Bianchi, pelos trabalhos prestados à população carioca, conforme mostramos a seguir.

Placa SETRANSPARJ (1991)

Placa RIO ÔNIBUS (2011)

[Pesquisa de Eduardo Cunha e Claudio Falcão] 

7 comentários:

  1. Prezado Eduardo, vale lembrar que mesmo com as dificuldades que a Viação Nacional passava, o sr. Tristão Bianchi era, em 1962, presidente do Sindicato das Empresas de transportes de passageiros do Rio de janeiro.
    Abraços,
    Antonio Sérgio

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    1. Caro Antonio Sérgio, me leva a pensar quão abagunçado deveria ser esse Sindicato.

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  2. Olá e parabêns pelo blog!

    Posso pedir uma ajuda? Estou tentando obter informações sobre a linha 428, que veio a substituir a 109 da Nacional. Gostaria de saber quando foi desativada e qual outra veio a substituí-la no percurso entre Copacabana e Tijuca.

    Obrigado e agradeço antecipadamente qualquer informação!

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    1. Olá Guilherme, grato pela visita e elogio ao blog. Até onde eu sei quando a Nacional/Niterói, acabaram a CTC ficou com a linha até 65/66, depois aparente ater sumido. Abraços e volte sempre.

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  3. Boa tarde, Cláudio. Grato pela primeira visita a página e os comentários aos trabalhos. Realmente são esses nossos objetivos, mostrar e contar informações verdadeiras e que temos conhecimento para contribuir com o hobby. Volte sempre e abraços.

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  4. Grande Eduardo, parabéns pela riqueza de detalhes sobre a história da Nacional. Notamos que problemas no sistema de transportes daquela época, são recorrentes até os dias atuais.

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    1. Boa tarde Edvaldo, tudo bom? Grato pela visita e elogios a matéria. Estamos aqui com o intuito de tentar oferecer o mais preciso a quem gosta de ônibus, no caso das antigas empresas carocas. Acredito que o problema sempre será o mesmo. Volte mais vezes.

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