domingo, 29 de março de 2015

Viação Inhaúma

Iniciando nossa pesquisa, verificamos que a Viação Inhaúma foi fundada a 22 de junho de 1933, e mantinha sua garagem à Avenida Suburbana, nº 1.961, perto da Rua Ten. Abel da Cunha – Maria da Graça (1).

Já a edição do ‘Jornal do Brasil’ de 21 de outubro de 1933 publicava um edital da Inspetoria de Concessões da PDF, convidando o Sr. Joaquim Moreira da Silva a comparecer àquela repartição, “dentro de cinco dias”, a fim de assinar o termo inicial de obrigação de sua empresa, a Viação Inhaúma (2).

Somente a 07 de dezembro de 1933, Joaquim Moreira da Silva, proprietário e razão social da Viação Inhaúma, assinava, junto à Inspetoria de Concessões da PDF, o mencionado termo, comprometendo-se a estabelecer um serviço de transporte de passageiros, através da linha de ônibus Estação de Cascadura x Estação de Ramos.

A sede da empresa era à Praça Botafogo, nº 20-A – Inhaúma.

Itinerário da linha: Estação de Cascadura, Av. Suburbana, Rua dos Cardosos, Estação de Cavalcanti, Rua Maria Passos, Rua Silva Valle, Estação de Engenho do Mato, Av. Rio-Petrópolis, Inhaúma, Caminho da Freguesia, Estrada de Itararé, Rua Quatro de Novembro, Estação de Ramos, e vice-versa.

Suas seções: Estação de Cascadura à Estação de Cavalcanti, $200 (duzentos réis); Estação de Cavalcanti à Estação de Engenho do Mato, $200 (duzentos réis); Estação de Engenho do Mato a Inhaúma, $200 (duzentos réis); Inhaúma à Rua Clapp Filho, $200 (duzentos réis) e Rua Clapp Filho à Estação de Ramos, $200 (duzentos réis) (3).

No entanto, pelo recorte a seguir, verificamos que antes mesmo da assinatura do ‘termo inicial’, os veículos da empresa já estavam circulando e, como podemos averiguar, em alta velocidade.

(Diário Carioca, 07/12/1933)

Um ano se passa, e as reclamações contra o excesso de velocidade dos carros da Viação Inhaúma continuavam. Leiam o recorte adiante, onde se pode observar que era mantido o trajeto da linha contratada em dezembro de 1933: Ramos x Cascadura.

(A Noite, 11/12/1934)

E a situação se agravava, como se verifica pela notícia do mesmo periódico, já em janeiro de 1935, dando conta de que ônibus da Viação Inhaúma e da Viação Santos Dumont “apostavam corrida”, o que acabou por gerar um acidente.

(A Noite, 16/01/1935)

Foi a última notícia sobre a empresa, por nós encontrada, após consultas a diversos jornais do Rio de Janeiro.

Referências:

(1) – Site MILBUS.
(2) – Jornal do Brasil, 21/10/1933.
(3) – Jornal do Brasil, 08/12/1933.

[Pesquisa de Claudio Falcão e Eduardo Cunha]

domingo, 22 de março de 2015

Viação Zélia

A Viação Zélia, razão social Joaquim Faria, teve seu Termo Inicial de Obrigação assinado em 10 de novembro de 1931, onde se comprometia a estabelecer um serviço regular de transporte de passageiros por meio de “auto-omnibus”, com a linha Largo da Pavuna x Estação de Deodoro (1).

Tinha como itinerário, Largo da Pavuna, Estrada Velha da Pavuna e Estrada Nazareth, até a Estação de Deodoro (ponto final), na ida e na volta.

Suas seções eram: do Largo da Pavuna a Capelinha, $200 (duzentos réis); da Capelinha à Estação de Anchieta, $200 (duzentos réis); da Estação de Anchieta à Estação de Ricardo de Albuquerque, $200 (duzentos réis) e da Estação de Ricardo de Albuquerque à Estação de Deodoro, $200 (duzentos réis) (1).

A seguir, dois recortes e uma referência de 1934, citam um acidente em Ricardo de Albuquerque, com um veículo da empresa fazendo outra linha, Anchieta x Ricardo de Albuquerque (2).

(Diário da Noite, 24/07/1934)

(O Paiz, 25/07/1934)

Um Termo Aditivo de Obrigações foi assinado em 17 de dezembro de 1934 pelo proprietário Joaquim Faria, substituindo a linha Largo da Pavuna x Estação de Deodoro por Largo da Pavuna x Estação de Anchieta. Nessa data a sede da empresa era na Av. Automóvel Club (atual Av. Pastor Martin Luther King), nº 3.628, em Inhaúma.

Seu itinerário era Largo da Pavuna, Rua Comendador Guerra, Estrada Rio do Pau, Rua da Pavuna, Estrada Nazareth, até a Estação de Anchieta, e vice-versa.

E suas seções, do Largo da Pavuna a Capelinha, $200 (duzentos réis) e da Capelinha à Estação de Anchieta, $200 (duzentos réis) (3).

Novamente outro acidente, com maiores proporções, pois um ônibus foi atingido por dois trens, na passagem de nível da estação de Ricardo de Albuquerque.

Esse veicula outra linha, Deodoro x Nilópolis. Ou seja, a empresa operava, na época, uma linha interestadual.

(Diário Carioca, 14/03/1935)

Agora temos um Termo de Prorrogação de Autorização, de 24 de setembro de 1937, por mais quatro anos, a contar de 10 de novembro de 1935.

Nessa matéria a empresa mantém proprietário e sua sede, porém é citado como tendo sua garagem e oficinas, em “uma praça junto à Rua Comendador Guerra”.

Esse termo refere-se às seguintes linhas da empresa:

= Largo da Pavuna x Estação de Anchieta, com o mesmo itinerário e seções anteriormente citados;

= Estação de Deodoro x Estação de Nilópolis, com o itinerário: Estação de Deodoro, Estrada Nazareth, até a Estação de Nilópolis e seções, da Estação de Deodoro à Estação de Ricardo de Albuquerque, $200 (duzentos réis); da Estação de Ricardo de Albuquerque à Estação de Anchieta, $200 (duzentos réis) e da Estação de Anchieta à Estação de Nilópolis, $200 (duzentos réis);

= Estação de Deodoro x Rua Beberibe (fica no bairro de Ricardo de Albuquerque), tendo o itinerário, Estação de Deodoro, Estrada do Camboatá e Rua Beberibe e seção única da Estação de Deodoro à Rua Beberibe, $200 (duzentos réis) (4).

E como não poderia deixar de acontecer, como é praxe em todas as empresas, o recorte a seguir mostra-nos reclamações de usuários da empresa, em Anchieta e na Pavuna.

Nesse momento a empresa tem garagem na Praça Nossa Senhora da Conceição, nº 17, na Pavuna.

(Diário Carioca, 29/11/1938)

A situação da empresa não deve ter melhorado muito, pois vemos uma notícia onde a Prefeitura retira de circulação o carro número 1 da empresa e avisa que até 01/07 os veículos 2, 3, 4, 5, 6 e 7 devem passar por uma reforma geral. Quantos ônibus devem ter sobrado para trafegar?

(Correio da Manhã, 28/05/1939)

Porém sabemos que a empresa teve autorização para colocar mais um ônibus em circulação.

(Correio da Manhã, 26/09/1939)

Pela prorrogação dada pela Prefeitura anteriormente, a licença da empresa encerraria em 1939. Como vimos as reclamações anteriores e como também não achamos mais informações sobre ela, é possível que tenha encerrado suas atividades nesse ano, operando as linhas S41 – Deodoro x Anchieta e S44 – Pavuna x Anchieta.

Referências:

(1) – Jornal do Brasil, de 14/11/1931.
(2) – Jornal do Brasil, de 25/07/1934.
(3) – Jornal do Brasil, de 18/12/1934.
(4) – Jornal do Brasil, de 29/09/1937.

[Pesquisa de Eduardo Cunha e Claudio Falcão]