domingo, 29 de junho de 2014

Viação Natal

O Sr. Francisco Ignacio Alves assinava, a 4 de agosto de 1931, um termo de obrigação junto à Inspetoria de Concessões da Prefeitura do então Distrito Federal, para estabelecer a linha de “auto-lotações” Estação da Circular da Penha x Porto de Maria Angu.

Era este o itinerário: Estação da Circular da Penha, Av. dos Democráticos, ruas “K”, “D”, “J”, “E” (ruas que pertenciam ao projeto de arruamento dos terrenos da Companhia Brasileira de Terrenos) e Praça Central, no Porto de Maria Angu, compreendendo uma única seção de $200 (duzentos réis) (referência: Jornal do Brasil, 08/08/1931).   

Pouco mais de um ano depois, a 14 de dezembro de 1932, o sr. Francisco Ignacio, proprietário da Viação Natal, assinava, junto à mesma Inspetoria de Concessões, um termo de transferência pelo qual “cedia e transferia” à firma Rodrigues & Conde, dos srs. Hypolito da Costa Rodrigues e José Gonçalves Conde, o acima mencionado termo de obrigação de 4 de agosto de 1931 (“serviço de transporte de passageiros por meio de auto-omnibus”).

(Jornal do Brasil, 15/12/1932)

Já os representantes da firma Rodrigues & Conde viriam a assinar, a 14 de novembro de 1933, um termo aditivo, modificando a linha para Penha x Companhia Brasileira, que obedeceria ao itinerário: Estação da Penha, ruas Nicarágua, Leopoldina Rego, Itaú, Costa Rica, Jequiriçá, Cuba, Ingaí, Guatemala, Montevidéu e Nicarágua, até a Estação da Penha. Seções: Estação da Penha à Rua Cuba (esquina de Ingaí), $200 (duzentos réis) e Rua Cuba (esquina de Ingaí) à Estação da Penha, $200 (duzentos réis) (referência: Jornal do Brasil, 15/11/1933).

Novo termo aditivo de obrigação foi assinado, a 30 de maio de 1934, pelos representantes de Rodrigues & Conde, estabelecendo a nova linha, Cordovil x Avenida Meriti, com o itinerário: Estação de Cordovil, Rua Major Conrado, Praça 13 de Junho, Rua Barão de Melgaço, Rua Rio Apa, Rua Comandante Coelho, Avenida Meriti e vice-versa, com a passagem sendo cobrada a $200 (duzentos réis) (referência: Jornal do Brasil, 31/05/1934). Essa linha transformou-se na S-78, posteriormente operada, em 1942, pela Sociedade Cooperativa.   

Outra linha foi explorada pela empresa, Ramos x Apicu (Fábrica de Máscaras), o que se depreende dos anúncios de multas publicados nas edições de 23/09/1934 e 13/01/1935 do Jornal do Brasil.

Já na edição de 24/10/1936 do mesmo periódico, foi divulgada uma reclamação de usuários da linha acima citada, a qual obedecia ao seguinte itinerário: Estação de Ramos, Rua Leopoldina Rego, Rua Pereira Landim, Rua Barreiros, Rua Missões, Estrada do Engenho da Pedra e Fábrica de Máscaras contra Gases, com a passagem direta a $300 (trezentos réis). Essa linha transformou-se na S-63, Ramos x Praça Apicu – Fabrica de Máscaras, posteriormente operada, em 1939, pela Viação Santa Cecília.  

Nesse mesmo ano de 1939, a empresa operou as linhas S-73, Penha x R Dionísio e S-74, Penha x V Penha, posteriormente operadas, em 1942, pela Sociedade Cooperativa.

Um novo proprietário da empresa era informado através de editais publicados nas edições do Jornal do Brasil de 05 e 07/12/1937. Tratava-se de J. M. de Campos.

E por meio de uma “declaração à Praça”, o mesmo J. M. de Campos informava ter vendido a empresa Viação Natal para Antônio Gonçalves do Prado, José Afonso Bastos e Otaviano Vieira da Silva (referência: Jornal do Brasil, 09 e 10/11/1938).

Já em sua edição de 26/09/1939, o periódico ‘Correio da Manhã’ dava conta de que a Viação Natal havia licenciado, naquele ano, três “carros novos”.

(Correio da Manhã, 26/09/1939)

E através de notícia do jornal ‘A Noite’, tomamos conhecimento de que a mencionada empresa operava, por aquela época, a linha Olaria x Cascatinha. Essa linha, já existente em 1939, tornou-se a S-64, Olaria x Vila Cascatinha, posteriormente operada, em 1942, pela Sociedade Cooperativa.

(A Noite, 13/11/1940)

Mais adiante, nova declaração era divulgada no Jornal do Brasil (11/10/1941), em que a Sociedade Cooperativa dos Chauffeurs Proprietários do Rio de Janeiro, propagava ser adquirente da Viação Natal, conforme escritura de 10 de junho de 1941. Apesar de ter sido assumida pela Sociedade Cooperativa, a empresa continuou operando sob o nome fantasia Viação Natal, conforme informações do livro “Guerra de Posições na Metrópole”.

Em 17/02/1947, a empresa separou-se da Sociedade Cooperativa e tornou-se a Viação Natal Ltda., cuja garagem era na Rua Bela, nº 948, São Cristóvão, conforme informações do site MILBUS. 

Daí em diante não mais encontramos informações acerca da Viação Natal.

[Pesquisa de Claudio Falcão e Eduardo Cunha]

domingo, 22 de junho de 2014

Antônio Monteiro de Souza

O Sr. Antônio Monteiro de Souza assinou a 8 de outubro de 1927, junto à Inspetoria de Concessões da Prefeitura do então Distrito Federal, um termo de obrigação visando a estabelecer um serviço de transportes de passageiros, por meio de “ônibus-automóveis”, ligando a Ponte da Ribeira à Freguesia (Ilha do Governador), com duas linhas: uma via Ponta do Tiro e outra via Cemitério.

Itinerário da primeira linha: ida – Praça Marechal Fontoura (ponte das Barcas), Rua da Engenhoca, Praia do Zumbi, Praia das Pitangueiras, Praia da Bandeira, Estrada do Capitão Barbosa, Praia da Olaria, Estrada do Paranapuan, Praça da Freguesia e Praia de Guanabara (ponto terminal); volta – Estrada do Quilombo, Rua Comendador Bastos, Praça da Freguesia, Estrada do Paranapuan, Praia da Olaria, Estrada Capitão Barbosa, Estrada do Cacuia, Cemitério, Estrada do Jequiá, Rua Formoso do Jequiá, Praia do Zumbi, Rua da Engenhoca e Praça Marechal Fontoura (ponte das Barcas).

A segunda linha seguia em sentido contrário, sendo a ida pelo Cemitério e a volta pela Ponta do Tiro.

A primeira linha (via Ponta do Tiro) era dividida nas seguintes seções: 1ª seção – da Ponta da Ribeira à Ponta do Tiro, $200 (duzentos réis); 2ª seção – da Ponta do Tiro ao Tauá, $200 (duzentos réis) e 3ª seção – do Tauá à Freguesia, $200 (duzentos réis).

Para a segunda linha (via Cemitério): 1ª seção – da Ribeira ao Cemitério, $200 (duzentos réis); 2ª seção – do Cemitério ao Cocotá, $200 (duzentos réis) e 3ª seção – do Cocotá à Freguesia, $200 (duzentos réis).

[Referência: Jornal do Brasil, 12/10/1927.]

No entanto, através de contato direto com o Sr. Jaime Moraes, pesquisador da história da Ilha do Governador, criador e editor do fotoblog http://ilhajaime.nafoto.net/, a quem muito agradecemos, soubemos que apesar de ter obtido concessão para as linhas citadas anteriormente, a empresa do Sr. Antônio Monteiro de Souza nunca as operou, nem mesmo outras linhas, dentro da Ilha do Governador.     

Cerca de quatro meses depois, a 18 de fevereiro de 1928, o mesmo Sr. Antônio Monteiro de Souza, assinava um termo aditivo, com a finalidade de estabelecer a linha Cascadura x Largo da Freguesia (Jacarepaguá).

Era este o itinerário: Cascadura, Rua Nerval de Gouvêa, Rua Coronel Rangel, Rua Cândido Benício, Estrada da Freguesia e Largo da Freguesia, com a volta pelo mesmo trajeto.

A linha era dividida nas seguintes seções: 1ª seção – de Cascadura à Praça Seca, $200 (duzentos réis); 2ª seção – da Praça Seca ao Tanque, $200 (duzentos réis) e 3ª seção – do Tanque ao Largo da Freguesia, $200 (duzentos réis).

[Referência: Jornal do Brasil, 06/03/1928.]

Chegamos à conclusão de que a linha da Ilha do Governador deixou de ser explorada, quando da assinatura deste termo aditivo.

E daí em diante não mais encontramos ‘notícia’ da empresa do sr. Antônio Monteiro de Souza.

[Pesquisa de Claudio Falcão e Eduardo Cunha]