domingo, 24 de maio de 2015

Viação Globo

A primeira informação encontrada por nós em jornais sobre a Viação Globo foi através de um edital de 31 de julho de 1936, da Diretoria dos Serviços de Utilidade Pública da PDF, publicado no ‘Jornal do Brasil’, intimando um representante da empresa a comparecer à sede daquela repartição (1).

Por meio de pequena notícia veiculada no mês seguinte pelo mesmo periódico, verificamos que a linha operada pela Viação Globo era Méier x Praia Pequena [Benfica], que a partir daquela ocasião era prolongada, passando a ser Méier x Bonsucesso, com o ponto terminal na Rua Uranos, em frente à estação ferroviária. Vejam a seguir.

(Jornal do Brasil, 18/09/1936)

Adiante temos a imagem de um ônibus da empresa, envolvido em um acidente, mas com a ‘vista’ indicando Meyer / Olaria. Observem que houve aqui um novo prolongamento da linha, que até então circulava somente até Bonsucesso. Notícias do fato foram publicadas nos diários ‘A Noite’, ‘Diário da Noite’ e ‘O Globo’, de 05/04/1937 e ‘Correio da Manhã’ e ‘O Jornal’, de 06/04/1937.

(Diário da Noite, 05/04/1937)

Através de uma notificação de multa, de agosto de 1937, publicada pelo JB, tomamos ciência que a linha então operada pela empresa era Ramos x Méier (2).

Já em 15 de outubro de 1937, o Sr. A. Soares Braga, proprietário da Viação Globo, assinava um termo de prorrogação e transferência de autorização, pelo qual a PDF concedia “a prorrogação e transferência da licença da Empresa Viação N. S. da Penha ao Sr. A. S. Braga e mudança de sua denominação para Viação Globo”.

Lendo o trecho acima reproduzido, entre aspas, interpretamos que houve a incorporação da Viação N. S. da Penha pela Viação Globo, e a unificação das duas empresas sob a denominação de Viação Globo, visto que esta última já existia, pelo menos desde julho de 1936.

A autorização mencionada era prorrogada por um período de quatro anos, contando de 30 de março de 1935, quando expirara a licença anterior.

A garagem da Viação N. S. da Penha localizava-se à Av. Suburbana, nº 737 – Jacaré, e a linha envolvida nesta operação era a Méier x Olaria.

Itinerário: Rua Aristides Caire, Rua Ferreira de Andrade, Rua Rocha Pitta, Rua Cachambi, Av. Suburbana, Rua Tenente Abel da Cunha, Av. dos Democráticos, Rua Cardoso de Morais e Rua Leopoldina Rego, até a Estação de Olaria.

Seções: Méier à Rua Honório, $200 (duzentos réis); Rua Honório à Estação de Del Castillo, $200 (duzentos réis); Estação de Del Castillo à Praça das Nações, $200 (duzentos réis); Praça das Nações à Estação de Olaria, $200 (duzentos réis) e inteira, $800 (oitocentos réis) (3).

Em julho de 1939, em notícia publicada em ‘O Globo’, verificamos que a garagem da Viação Globo mantinha-se à Av. Suburbana, nº 737 (4).

Já em novembro do mesmo ano, localizamos a última referência em jornais sobre a empresa, na qual havia menção à sua garagem, ainda na Av. Suburbana (5).

Porém, por informações colhidas na publicação ‘Guerra de Posições na Metrópole’, tomamos conhecimento de que em 1941 a Viação Globo foi adquirida pela Viação São Jorge, que ficou com a linha da primeira, S-4 – Méier x Olaria, citada linhas acima.

Referências:

(1) – Jornal do Brasil, 02/08/1936.
(2) – Jornal do Brasil, 18/08/1937.
(3) – Jornal do Brasil, 16/10/1937.
(4) – O Globo, 06/07/1939.
(5) – Jornal do Brasil, 12/11/1939.

[Pesquisa de Claudio Falcão e Eduardo Cunha]

domingo, 17 de maio de 2015

Companhia Santa Cruz / Empresa Jardim Guanabara

Pelo mês de junho de 1926, a Companhia Santa Cruz passou a anunciar em jornais do Rio de Janeiro a venda de terrenos em um grande loteamento na Ilha do Governador, no que viria a se constituir no bairro de Jardim Guanabara.

Naquela ocasião a empresa mantinha seus escritórios à Rua do Ouvidor, nº 61 – centro da cidade, e era voltada basicamente para a venda de terrenos nesse loteamento, bem como na abertura de ruas e na implementação de infraestrutura para a edificação de casas naquela região (1).

Seu endereço na Ilha do Governador, por essa época, era à Praia da Bica, nº 424 e, pelo menos até abril de 1937, ainda permanecia no mesmo local (2). Posteriormente passou para o nº 448 da Praia da Bica – telefones: Gov. 239 e Gov. 67 (3).

Porém em 1936 a sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro, foi transferida para a Av. Rio Branco, nº 138 – 1º andar (4).

Já em 28 de maio de 1936, era assinado, junto à Inspetoria de Concessões da PDF, um termo de transferência de obrigações, no seguinte teor:

“Pelo qual o Sr. Emídio Luís de Freitas, proprietário da Empresa E. L. Freitas, cede e transfere à Companhia Santa Cruz S.A. [representada pelo seu Diretor, João Ferreira de Morais Júnior] a linha ‘Ribeira-Jardim Guanabara’, constante do termo de obrigações assinado com a Prefeitura do Distrito Federal, em 12 de abril de 1934” (5).

Com tal medida, a Companhia Santa Cruz procurou tomar sob sua responsabilidade a oferta de transporte coletivo para a região do Jardim Guanabara, onde seus clientes construíam novas moradias.

Era este o itinerário da linha: Ponte da Ribeira, Rua Maldonado, Praia do Jequiá, Ponte da Estrada da Radiotelegrafia da Marinha, Estrada da Radiotelegrafia, Praia da Bica e Jardim Guanabara.

Compreendia duas seções: da ponte da Ribeira ao entroncamento da nova Estrada Radiotelegráfica com a da Bica, $200 (duzentos réis) e deste ponto ao Jardim Guanabara, $200 (duzentos réis), e vice-versa (6).

Logo a seguir, começaram a ser veiculados na imprensa grandes anúncios, que procuravam mostrar os progressos que já eram notados naquele bairro, dentre os quais a existência da mencionada linha de ônibus, agora sob a gerência da Companhia Santa Cruz. Veja adiante.

(Correio da Manhã, 12/07/1936)

O ônibus do anúncio acima, em destaque

O presidente da empresa era o Dr. Sampaio Vidal, ex-ministro da Fazenda. E observe também, na matéria a seguir, que o Jardim Guanabara era citado como “um outro bairro semelhante a Copacabana”.

(Correio da Manhã, 23/08/1936)

Em dezembro de 1937, a Diretoria de Serviços de Utilidade Pública da PDF tornava público um edital, datado do dia 23, pelo qual convidava representantes da Companhia Santa Cruz a comparecerem àquela repartição para tratarem de providências para a substituição da denominação de sua empresa de transporte de passageiros, como o leitor poderá verificar adiante:

“Fica convidada a Companhia Santa Cruz, concessionária da linha de ônibus ‘Ribeira-Jardim Guanabara’ (Ilha do Governador), a comparecer na Contabilidade desta Diretoria, a fim de tratar de assunto urgente relativo à mudança de denominação da referida linha para ‘Empresa Jardim Guanabara’” (7).

No anúncio a seguir, de outubro de 1940, o leitor tomará conhecimento dos horários de partida das barcas, bem como dos ônibus, horários que, pelo menos na teoria, mantinham uma correspondência.

(Gazeta de Notícias, 20/10/1940)

Mais uma vez, agora em maio de 1941, era realizada a mudança do escritório central da firma, que passava a funcionar à Av. Rio Branco, nº 108 – 13º andar – Edifício Martinelli, como pode ser confirmado pelo recorte que se segue.

(Correio da Manhã, 11/05/1941)

E ainda pelo ano de 1945, encontramos notícias nos periódicos fazendo menção à Empresa Jardim Guanabara: uma, relativa a um atropelamento (mês de fevereiro) e outra, onde lê-se que “três dessas quatro linhas [da Ilha do Governador] foram suspensas, permanecendo em atividade apenas a que a empresa do Jardim Guanabara mantém em atenção ao compromisso que assumiu com os compradores dos seus terrenos” (mês de dezembro).

(Diário da Noite, 19/02/1945)

(A Manhã, 29/12/1945)

Por informação colhida na publicação ‘Guerra de Posições na Metrópole’, verificamos que a linha Ribeira x Jardim Guanabara, que recebera a numeração S-84, circulou até 1952.

Referências:

(1) – Jornal do Brasil, 19/09/1926.
(2) – Jornal do Brasil, 14/10/1926, 15/01/1937 e 10/04/1937.
(3) – Jornal do Brasil, 10/01/1951.
(4) – Jornal do Brasil, 16/04/1936.
(5) – Jornal do Brasil, 31/05, 03/06 e 04/06/1936.
(6) – Jornal do Brasil, 13/04/1934.
(7) – Jornal do Brasil, 24/12/1937.

[Pesquisa de Claudio Falcão e Eduardo Cunha]